Protagonistas

“Ver o cancro de fora é terrível porque
não sabemos como agir para a pessoa ficar bem”

Ana Cardoso Santos, 49 anos

Ana Cardoso Santos, 49 anos, alerta para a falta de informação em torno desta doença que afeta o corpo, mas também a alma. Para esta professora foi muito importante sentir-se útil no trabalho e sentir-se bonita, mesmo durante os tratamentos. Importa também não esquecer o impacto que o cancro tem nas famílias. “Quando tive cancro, eu disse: obrigado, Deus, por me ter dado o cancro a mim e não às minhas filhas. Tinha sofrido muito mais… Ver o cancro de fora é terrível porque não sabemos como agir para a pessoa ficar bem”.

“Eu tive de tomar uma atitude, e decidi
que não ia ficar no sofá a ter pena de mim própria”

Cátia Delgado, 34 anos

Cátia Delgado, 34 anos, lamenta que tenham de ser as próprias doentes oncológicas a ter de dar a cara para se falar mais do cancro, uma doença que, em pleno século XXI, ainda é um grande tabu na sociedade portuguesa. “Ninguém quer ser conhecido por ter cancro, mas temos mesmo de alertar para o facto de haver tão pouca informação, de não termos apoios suficientes, de não haver condições para quem tem de cuidar de nós… Temos de começar a falar mais sobre estes problemas”.  

“Não é aos 46 anos que vou andar a pedir dinheiro à família.
A autoestima ainda conta um bocadinho!”

Cristina Nogueira, 46 anos

Cristina Nogueira, 46 anos, chama a atenção para os profissionais liberais que não podem descontar para a segurança social ou meter baixa na fase mais agressiva dos tratamentos ao cancro. É o caso dela que, enquanto advogada e com cancro, chocou de frente com este vazio legal. “Sou obrigada a fazer descontos para a caixa de previdência dos advogados e solicitadores que é apenas uma caixa de reforma que não nos dá nada. E não é aos 46 anos que vou andar a pedir dinheiro à família. A autoestima ainda conta um bocadinho!”

“Não sabemos onde vamos comprar uma peruca, se nos podemos maquilhar, onde vamos fazer as sobrancelhas (…)”

Isabel Duarte, 53 anos

Isabel Duarte, 53 anos, destaca a importância da informação e do voluntariado. Já lançou a página “Ser Feliz com Cancro” no Facebook para partilhar as dicas a que gostaria de ter tido acesso quando passou pela quimioterapia. Agora está a criar o projeto solidário Grupo de Apoio ao Doente Oncológico Carenciado para apoiar quem mais precisa nas várias fases dos tratamentos, por exemplo, entregando gratuitamente os cremes necessários a quem faz radioterapia.

“Cabe a cada um agarrar as rédeas da sua vida
e fazer um balanço positivo da sua própria história”

Sandra Lucas, 38 anos

Sandra Lucas, 38 anos, explica porque o primeiro contacto com o diagnóstico de cancro é sempre uma reação baseada na crença de que tudo acabou ou está prestes a acabar. “Porque ainda não fomos formatados para acreditar que todo o crescimento humano advém principalmente de desafios difíceis e que esse contacto com o desconhecido nos vai tornar mais fortes, mais ricos e mais sábios”. Afinal a vida é um pacote de experiências e cabe a cada um agarrar as rédeas da sua vida e fazer um balanço positivo da sua própria história.