Notícias

"Os cuidados paliativos não existem para ajudar a morrer, existem para ajudar a viver com qualidade"

Quem o diz é Isabel Galriça Neto, diretora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz e especialista convidada do mais recente Vamos Falar?, emitido no facebook da Sic Notícias. Estes são cuidados mais eficientes, menos caros e mais humanizados

"Na nossa unidade, em mais de 600 doentes por ano, temos cerca de 60% de altas", referiu Galriça Neto na conversa moderada pela jornalista Rita Neves

Garantir o acesso a toda a população a cuidados paliativos e melhorar a qualidade de vida dos doentes e sobreviventes de cancro são duas das necessidades da oncologia nacional que estiveram em debate no "Vamos Falar?", organizado pelo Tenho Cancro. E depois?.

Saiba quais foram as principais conclusões:

Falta de recursos humanos

- A falta de recursos humanos já era um problema antes da pandemia, mas acabou por se acentuar. "Muitos médicos a trabalhar em cuidados paliativos foram desviados para outras áreas assistenciais. Tentou-se dar prioridade aos doentes covid-19, esquecendo-se um grupo muito numeroso que são os doentes que não se curam", lembra Isabel Galriça Neto. A consequência mais direta foi um "prejuízo enorme" da qualidade de vida destas pessoas.

Acesso limitado

- Em comunicado, emitido em outubro, a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) alertou para o escasso acesso a estes cuidados de saúde: num universo estimado em 70 mil adultos, apenas cerca de 20 mil foram acompanhados por uma equipa especializada, enquanto aproximadamente 800 crianças, num conjunto em torno das oito mil, beneficiaram desse acompanhamento.

- Do ponto de vista geográfico, a distribuição da rede de cuidados paliativos é assimétrica.

- "A resposta que nós temos para estas dezenas de milhares de portugueses é escassa. Há milhares de portugueses sem acesso a cuidados paliativos. Não podemos deixar estas pessoas para trás", acredita a especialista."

- De recordar que o acesso a cuidados paliativos - em caso de doença incurável - é um direito que assiste a qualquer português e que está consagrado na legislação. No entanto, Isabel Galriça Neto assegura que este é um direito que "não está a ser respeitado" e que está a chegar tarde aos doentes, muitas vezes apenas nos últimos dias de vida.

"O cancro mudou a minha vida. Depois de uma recidiva e cinco cirurgias, deixei de ser professora e passei a dedicar-me à associação MOG, que criei para ajudar outras mulheres", conta Cláudia Fraga, convidada do "Vamos Falar?"

"O cancro mudou a minha vida. Depois de uma recidiva e cinco cirurgias, deixei de ser professora e passei a dedicar-me à associação MOG, que criei para ajudar outras mulheres", conta Cláudia Fraga, convidada do "Vamos Falar?"

Pouca literacia e escassos apoios

- "É preciso mais apoios para que os medicamentos - que prolongam a vida e a sua qualidade - sejam comparticipados", refere Cláudia Fraga, sobrevivente de cancro do ovário e presidente da MOG. "Há muitas pessoas que se dirigem a Espanha, por exemplo, porque há mais ensaios clínicos e mais acesso a medicamentos".

- A sobrevivente também acredita que é fulcral aumentar a literacia, através de - por exemplo - ações nas escolas, de forma a melhorar o panorama do cancro, em Portugal.

Para já, é sabido que para as redes nacionais de cuidados continuados integrados e de cuidados paliativos, o PRR reserva 205 milhões de euros destinados a desenvolver uma nova geração de respostas de proteção social dos cidadãos. "Tenho esperança que as verbas do PRR sejam efetivamente canalizadas para esta área", sublinha Isabel Galriça Neto.

Para ver ou rever a sessão na íntegra, clique AQUI.

Notícias

Mais