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Estudo reflete a forma como a pandemia atrasou os diagnósticos e tratamentos contra o cancro em Portugal

O estudo é uma avaliação do impacto da covid-19 no rastreio, diagnóstico e tratamento do cancro

José Fernandes

“Disrupção em oncologia por força da covid-19” é o nome dado ao estudo desenvolvido pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que concluiu o que já se sabia: durante a pandemia de covid-19, houve um declínio significativo no rastreio de cancro, em diferentes países e também em Portugal, que levou a uma diminuição do número de casos de cancro diagnosticados. De recordar que, no período mais crítico da pandemia, cerca de 5 mil cancros não foram diagnosticados.

O relatório - que reúne dados até 27 de setembro de 2021 - reflete a experiência de profissionais de saúde ligados ao cancro e a atividades como o diagnóstico, o rastreio e tratamentos, assim como de doentes e cuidadores/familiares.

Os entrevistados reconhecem uma diminuição acentuada dos cuidados de saúde direcionados aos doentes com cancro, sublinhando a falta de acesso aos cuidados de saúde primários, e a consequente falha no diagnóstico e referenciação por parte dos médicos de família. Em consequência, verificou-se uma diminuição da realização de primeiras consultas, de cirurgias e do início de novos tratamentos de quimioterapia e radioterapia.

Outra conclusão interessante prende-se com o facto de os entrevistados referirem que a videoconsulta ou a teleconsulta deverá ser mantida nos casos em que a deslocação ao serviço de saúde não seja estritamente necessária, desde que seja disponibilizado aos profissionais software e hardware adequados às necessidades

Estas foram algumas das recomendações sugeridas pelos participantes para recuperar potenciais atrasos no rastreio, diagnóstico e tratamento do cancro em Portugal:

  • Contratar mais recursos humanos para o SNS, no sentido de aumentar a sua capacidade de resposta, nomeadamente ao nível da prestação de cuidados médicos a doentes com covid-19, do apoio aos centros de vacinação contra a covid-19 e dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica.
  • Reorganizar e reforçar os cuidados de saúde primários, nomeadamente retomar todas as atividades nos centros de saúde, melhorar a rede de referenciação e diagnóstico e diminuir o número de doentes por médico de família, contribuindo para a melhoria do seu desempenho.
  • Criar incentivos para travar a migração de profissionais de saúde do SNS para os serviços privados e remunerar os profissionais de saúde pelas horas extra.
  • Reativar todos os rastreios oncológicos de base populacional e aumentar o número de pessoas rastreadas anualmente, nomeadamente através da realização de rastreios de proximidade.
  • Investir na literacia da população em relação ao cancro;
  • Elaborar um plano de recuperação estruturado;
  • Estabelecer protocolos com os grupos privados de saúde para a realização de rastreios, tratamentos e cirurgias em atraso.

Para consultar o estudo completo visite o site do ISPUP .

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